Epifania
Luis Ponciano Domínguez, meu filho
Nascerá? Não sei, mas aqui estou outra vez ruminando ao pé da manjedoura: um bebê pasto, comida boa, papo para boi dormir? Ao certo nunca saberei. A estrela no cinzento céu de São Paulo é difícil de ver, as dores do parto nunca terminam de começar e de repente é hora do coração aguardar o sol romper a noite mal dormida. Ele vem sangrando como na Cruz, os filhos dos homens tem essa marca de fábrica — fazer o quê? — gravada nos abraços que se abrem. Mas ele, como Deus, é pequeno e demora aprender amar e sofrer.
Poema inédito, parte do meu próximo livro, a ser lançado em breve se os céus e as noites mal dormidas deixarem.



Lindo poema, Bomfim! Que inspiração. Versos delicados e sensíveis, como seu filho. Parabéns pela chegada do pequeno e que ele traga muita luz e alegria para sua família.